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Brinde ao Outono

Este sabor a Outono,

gravado na chuva que começa a cair,

no aconchego da lã

e nas açúcaradas pêras do quintal.

 

Este Outono que é meu,

sempre eterno preferido.

Perdido entre dois tempos do relógio,

vive sem pressa e sem o excesso do Verão.

 

Veste-se de cobre e de ouro,

dança com o copo de vinho na mão.

Ele celebra a luz de mel 

e balança ao som do jazz.

Bonecos de vidro

Somos todos feitos de cacos.

De silêncios que se transformaram em melancolia.

De palavras que se perderam entre os lábios.

De abraços que ficaram presos nos medos.

 

Sustentamo-nos com cola e boa-vontade,

com remendos de afeto e fita-adesiva de esperança.

A cada passo, o medo de estalar outra vez.

A cada segundo, o receio de revelar a vulnerabilidade.

 

Caminhamos por aí, a fingir que somos inteiros.

Polimos os cantos para não ferir,

insistimos em puxar o brilho à tosca loiça

e em manter a cabeça, cheia de tempestades, bem erguida.

 

Expressamos alegria antes da sinceridade,

engolimos a tristeza com café e rotina,

vestimos o orgulho como armadura

e chamamos coragem ao simples ato de sobreviver.

 

Mas, quando a noite cai, permitimo-nos sentir:

cansados, humanos, despidos,

com vidros nas mãos e no peito,

a rezar para que a cola nunca nos falhe.

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