A culpa é minha?
Que culpa tenho eu de me apaixonar por aí?
Pelas letras gravadas em paredes.
Pela flor bizarra de cor alegre.
Pelo gesto insubmisso que grita.
Deixo fugir um sorriso em cada canto.
Quando vejo uma criança deslumbrada.
Uma forma inesperada na calçada.
Ou um beijo que cala as dúvidas.
Que explicação posso eu dar se me perco em cada rua?
Presa nos olhares de quem passa.
Fascinada pelas rugas de quem espera.
Curiosa pelas histórias que as vozes contam.
Como posso eu explicar que sou incapaz de não viver?
De não gravar a beleza do que encontro e surpreende.
De não revelar o mundo que inspira os meus sentidos.
De não respirar o gracioso, o complexo, o simples ou o fugaz.
Culpada sou.
Por sentir. Por escrever.