Linha de fogo
Como pode o negro feio nascer do verde?
O aroma de uma flor transformar-se em acre?
E a terra brava, em carvão?
Abre-se a janela do inferno. As serras começam a arder.
Resta a esperança, embalada nas mãos de quem reage.
E as raízes que, em tempos difíceis, insistem em resistir.
Abandonadas, as serras teimam em manter-se de pé.
Mantendo a dignidade que não cabe nos sapatos de quem nunca as pisou.
Esquecidas. Negligenciadas. Mas nunca vergadas.